Xixi fora do lugar

Uma das reclamações mais comuns sobre cães é o xixi fora do local correto. E principalmente agora que os peludos estão vivendo cada vez mais dentro de casa ou em apartamentos, fazer as necessidades em um lugar determinado é algo muito importante. Mas como ensinar nossos pets onde queremos que se aliviem?

Algumas dicas simples podem ajudar, porém, a persistência, a paciência e o carinho são fundamentais no processo. Ainda é muito comum dicas como esfregar o focinho do cão no xixi fora do lugar ou dar broncas, mas foi comprovado que isso não funciona. Muito pelo contrário, pode fazer com que o cão passe a se aliviar escondido do tutor, o que certamente dificultará seu aprendizado.

Primeiramente é preciso entender que filhotes passam a ter mais controle do xixi e do cocô a partir do quarto mês de vida, portanto, antes disso, erros são comuns e esperados. Sabendo deste fato, devemos levar o cãozinho ao banheiro dele sempre após acordar, comer ou brincar, já que são momentos em que ele costuma ficar apertado.  

O banheiro também não deve ficar perto do local onde ele come e bebe água, nem da caminha, pois a tendência é que ele procure um espaço mais afastado desses pontos para se aliviar.

Após definido o local é preciso levar o cão até lá sempre que notar que ele está com a intenção de fazer xixi, mas sem dar sustos nele. Quando ele acertar, faça festa e recompense-o. No início, devemos deixar vários banheiros espalhados pela casa e diminuir de forma gradativa, conforme ele evoluir no treinamento.

Limpar os locais onde ele faz errado também é importante, e os produtos enzimáticos ajudam a retirar completamente o cheiro do local. Com isso, o cão vai aprender que fazer o xixi no local certo é muito vantajoso, já que é onde fica o cheirinho dele e ele ainda é recompensado por isso.

Como ensinar o comando “Fica”

Alguns comandos podem ser essenciais para uma melhor convivência do pet com a sua família, porém, o comando “Fica” também é importante para a própria segurança física do cão. Infelizmente, são muito comuns os casos de fuga e/ou atropelamentos quando o tutor chega ou sai de casa. O momento de abrir a porta ou portão da residência é de maior risco para o pet. Por isso, ter o controle nesta ocasião é essencial.

O comando em si não é difícil de ensinar, mas precisamos que antes o animal aprenda o “Senta”. O ideal é sempre ensinar o cão através da indução do movimento desejado e depois recompensá-lo assim que ele realizar o movimento. No “Senta”, colocamos um petisco perto do seu focinho e fazemos um movimento com a mão para trás da cabeça do cão, assim, ele será obrigado a olhar para cima e para trás, fazendo com que naturalmente se sente para ficar mais fácil acompanhar o petisco.

Devemos sempre fazer movimentos calmos e devagar e recompensar o amigo assim que ele se sentar.

Para facilitar o aprendizado podemos utilizar uma ferramenta chamada Clicker, que nada mais é do que um marcador de acerto, que marca o momento exato em que o cão realizou o que lhe foi solicitado. Com isso, o pet entenderá de forma mais precisa qual foi o movimento que ele realizou que está sendo recompensado.

Para ensinar o “Fica” devemos estar em um ambiente tranquilo e sem distrações. Especialmente para os cães mais ansiosos e agitados, alguns limitadores podem ajudar no treino como um degrau ou mesmo um tapete para que o cão entenda melhor que se ele descer do degrau ou sair da textura do tapete ele perde o prêmio.

Primeiro devemos colocar o cão no sentado e recompensá-lo por isso, depois fazemos o movimento do “Fica” (a palma da mão virada na direção do cão), falamos a palavra FICA e damos apenas um passo para trás. Então, clicamos (com o Clicker), retornamos até o cão e lhe damos a recompensa. Quanto mais devagar você voltar e não falar com ele, mais fácil será para o amigo esperar o seu retorno. Devemos aumentar a distância devagar e de acordo com o aprendizado do pet.

Depois que o cachorro já está ficando sentado e você consegue se afastar alguns passos para trás é hora de começar a adicionar algumas dificuldades, já que no dia a dia muitas distrações podem ocorrer quando abrimos a porta de casa, por exemplo.

Devemos prestar atenção aos três “D´s”: duração, distância e distração. Não devemos aumentar mais de uma dificuldade por vez, correndo o risco de o cão começar a errar e se frustrar.

Mais importante do que qualquer coisa quando começamos a ensinar o “Fica” em portas e portões é a segurança do pet, por isso ele sempre deve estar preso a uma coleira e guia, que pode ser longa (de vários metros) e presa a um ponto fixo para simular que o cão está solto.

Boa sorte. Se precisar de ajuda, conte com um adestrador profissional.

Como enriquecer o ambiente para o gato

Os gatinhos têm ocupado um espaço cada vez maior em nossos lares. Por isso, é muito importante aprender a suprir as necessidades básicas dos bichanos.

Estamos bem mais acostumados a conviver com cães. Por conta disso, algumas pessoas podem pensar que para ter um gatinho em casa basta só disponibilizar água e alimento, que o animal vai ser feliz e equilibrado. Mas isso é um erro, os gatinhos precisam de estímulos, assim como os cães, senão podem se tornar sedentários e obesos ou estressados e reativos às pessoas.

Assim como com os cães, quanto antes introduzimos estímulos e enriquecimentos ambientais na vida de nossos gatinhos, melhor. Assim, eles aprendem a se desafiar e cada brinquedo se torna mais fácil de decifrar do que o anterior.

Mas o que seria um enriquecimento ambiental para um gato?

Gatinhos filhotes são extremamente curiosos e os brinquedos mais simples já chamam sua atenção. Brinquedos de varetas com fios na ponta, penas ou bolinhas são muito bons para gastar a energia infinita dos peludinhos e, de quebra, estimular seus instintos naturais de caça.

É importante observarmos algumas preferências de nossos gatos, por exemplo: eles preferem uma toca no chão ou no alto? Saber isso nos ajuda a escolher o melhor tipo de arranhador para cada tipo de bichano.

É essencial confirmarmos se o arranhador escolhido é seguro antes da compra. Ele precisa ser firme e resistente, já que os gatos adoram pular de um local para o outro e soltar o peso do corpo ao arranhar o brinquedo, então, ele tem que ser forte e pesado para não cair. Devemos estimular o gatinho a conhecer o novo brinquedo e logo esse será seu local favorito da casa.

Brinquedos simples, como bolas de meias, cones de dentro do papel higiênico ou papel toalha também pode virar um brinquedo estimulante.  É só dobrar as pontas para dentro, fazer alguns furinhos ao redor e colocar ração ou petisco dentro para que o gatinho bata para pegar a ração.

O importante é sempre variar as brincadeiras e manter a mente do seu bichano ativa e curiosa para que ele deixe a preguiça de lado e foque sua energia em exercícios saudáveis para uma mente equilibrada e um corpo saudável.

Ansiedade de separação

Por muitas vezes, a principal reclamação quando o adestrador é chamado é que o cãozinho está latindo muito quando fica sozinho ou que está destruindo os móveis da casa neste período. Mas o que muita gente não sabe é que esses podem ser os sinais da ansiedade de separação, que nada mais é do que o medo de ficar sozinho e não saber se os tutores irão voltar para a casa.

De nada adianta focarmos os treinos somente nos problemas apresentados, precisamos ensinar ao cão que não há mal algum em ficar sozinho e que logo iremos voltar. Como os cães são animais de grupo, ficar sozinho pode causar grande ansiedade, mas, ao contrário do que se pode pensar, nem sempre trazer mais um cão para a casa é a solução, uma vez que essa ansiedade de separação normalmente é por causa de um humano.

Portanto, antes de pensar em trazer outro cão para a família consulte um especialista e faça os treinos específicos para depois, caso seja indicado, trazer um novo amigo ao pet. A vinda do novo cão sem planejamento pode deixar seu peludo ainda mais ansioso.

Brinquedos interativos, aqueles em que podemos colocar ração e petiscos dentro, ajudam muito nos treinos. Eles ensinam o cão que brincar sozinho pode ser muito legal e recompensador, e ainda auxiliam a passar de forma mais produtiva o tempo em que ele ficará sozinho.

No mercado existem até produtos com possibilidade de programação de horários para ativar automaticamente as brincadeiras. Inclusive, estes brinquedos interativos podem começar e parar várias vezes ao dia, ajudando, assim, os tutores que precisam ficar longos períodos fora de casa.

Treinamento

Os treinos devem ser gradativos e simular situações reais de saída, o que ajudará muito na evolução dos casos. Ensinar o cão a brincar em um cômodo separado, mesmo quando estamos em casa, é uma boa pedida. Dessensibilizar os sinais da nossa saída, como colocar o sapato, pegar a bolsa e as chaves, mas não sair, também são atitudes importantes para que o cão fique menos ansioso no momento em que os tutores realmente precisam se ausentar.

Mas nem todo cão apresenta estes sinais, alguns podem apenas babar em excesso, raspar a porta, fazer as necessidades em local errado ou mesmo entrar em um estado de total apatia, sem beber ou comer enquanto os tutores estão fora de casa. Por isso, o diagnóstico correto de um profissional em comportamento e de um veterinário, para se certificar de que o problema não tem relação com alguma questão de saúde, é fundamental.

Cinco sinais de que seu cão te ama!

A cada dia os peludos fazem mais parte da nossa vida, são membros da nossa família e os amamos muito. Mas como sabermos quando eles demonstram seu amor por nós?

Como os cães não falam, podemos observar em seus atos e expressão corporal todo o amor que também sentem por nós.

  1. Abanar a cauda
    Nem todo abanar de cauda significa felicidade, mas quando ela faz um movimento amplo e relaxado, junto com uma postura corporal livre, orelhas também relaxadas, significa que estão muito felizes em te ver.
  1. Lambida
    Lamber os tutores, principalmente no rosto, é um sinal de carinho e de que eles te consideram um membro da família. Mas fique esperto, lambidas em excesso podem ser um sinal de ansiedade.
  1. Dormir perto de você
    Os cães são animais de matilha e gostam de viver em grupo, por isso, se ele gosta de dormir próximo de você, quer dizer que te considera como parte de sua matilha.
  1. Te olhar nos olhos
    Olhar diretamente nos seus olhos, com o corpo relaxado, significa que seu cão confia em você, já que isso pode ser uma ameaça entre animais desconhecidos.
  1. Ficar do seu lado em momentos difíceis
    Quando o seu cão percebe que você está triste ou passando por um momento difícil e fica do seu lado te apoiando, significa que ele percebe que você não está bem e precisa de conforto.

Perceber as formas com que seu cão demonstra amor por seus donos é fundamental para estreitar cada vez mais os laços que já existem entre eles.

Coprofagia: que bicho é esse?

A coprofagia é o ato que alguns animais têm de comer as próprias fezes ou a de
outros bichos. Apesar de ser uma atitude repulsiva aos seres humanos, é um hábito
comum e normal entre os canídeos e se explica até mesmo pela evolução do próprio
cão doméstico.

Muitas vezes, a ingestão de fezes humanas ou de outros animais como cavalos
ajudou o cão a suprir necessidades nutricionais durante a sua evolução e esse
comportamento pode permanecer mais vivo em alguns indivíduos. Como para nós
esse ato não é aceitável, é importante que possamos entender a motivação de cada
cão para que possamos eliminá-lo de seu comportamento.

Existem inúmeras razões para que cão coma as próprias fezes ou de outros animais, e
algumas são fisiológicas, como quando a mãe come as fezes dos filhotes jovens a fim
de manter o ninho limpo e evitar predadores. Caso deixemos o local dos filhotes sujo,
ela pode manter esse hábito durante todo o período de amamentação e assim ensinar os filhotes por imitação de que comer as fezes é normal.

Também existe a possibilidade de o pet estar com má nutrição ou verminose,
problemas que podem incentivá-lo a ter coprofagia, uma vez que o animal sente certa
falta de nutrientes e tenta encontra-los nas fezes.

Outra causa muito comum é quando o tutor briga com o cão por ele fazer as
necessidades no local errado e o cão entende que todas as vezes que ele defeca leva
bronca, então, acaba por comer as próprias fezes para evitar a punição. Também o
cão que apresenta ansiedade de separação, ou que fica muito tempo sozinho, pode se
sentir entediado e comer ou brincar com as fezes para se manter ocupado.

Como esse ato pode ter inúmeras causas, e muitas vezes mais de uma delas se aplica
a apenas um animal, é importante tentarmos descobrir qual que se encaixa ao seu
cãozinho para que o tratamento seja melhor direcionado.

Passo a passo
Primeiramente devemos levar o cão ao veterinário para investigarmos se ele não tem
algum problema digestivo, como deficiência de enzimas pancreáticas ou algum
problema de absorção intestinal.

Outra atitude importante é evitar as broncas e regular os horários de alimentação, já
que o cão tende a defecar após 30 minutos da alimentação, além de dividir sua
comida em, no mínimo, duas refeições.

Alguns produtos e alimentos podem deixar as fezes com gosto ruim, porém, só isso
não resolve o problema. O ideal é que após o animal defecar nós consigamos fazer
com que ele se distraia e saia de perto das fezes por livre vontade e só depois, sem
que ele veja, devemos limpar o local.

Portanto, descobrir a fonte do problema é primordial e irá nos guiar nas diversas
formas de tratamento. Devemos ter paciência e ser persistentes, principalmente
quando o animal já tiver esse hábito há bastante tempo.

Como apresentar um cão a um gato?

Para que possamos ter um cão e um gato convivendo em harmonia na mesma casa é importante que, desde o primeiro momento em que se encontrem, consigamos associar coisas positivas com a presença de ambos no mesmo local. Assim, vamos conseguir fazer com que convivam juntos de forma mais tranquila e com menos estresse.

Cães e gatos se comunicam de formas diferentes: o que pode ser um chamado para brincadeira de um cão, pode ser interpretado como ameaça para o gato ou vice-versa.

Por isso, quando eles são apresentados ainda filhotes é mais fácil e rápido para aprenderem a se comunicar. Mas isso não impede que apresentemos dois animais adultos, só é preciso ir um pouco mais devagar, ter paciência e persistência, e somente avançar ao passo seguinte quando todos estiverem se sentindo seguros e confortáveis.

Primeiro começamos com a troca de cheiros entre os dois, ainda sem nenhum contato visual. Devemos passar um pano ou algodão no gatinho, principalmente perto das bochechas, onde ele exala um odor bem característico, e fazer isso sempre que o animal estiver se sentindo calmo e confiante. Depois, trocamos os paninhos. Podemos colocá-los debaixo dos respectivos potes de ração, para que possam associar o cheiro um do outro com coisas boas, como a comida.

Depois, podemos colocar algum alimento saboroso, como comida úmida, para cada um do lado oposto de uma porta, ainda sem que um possa ver o outro. Somente após essa fase estar acontecendo com calma e tranquilidade de ambas as partes, sem que o gato fique com medo ou o cão ansioso ou agressivo, devemos passar para a próxima fase.

Inicialmente é preciso um ambiente tranquilo e seguro para os dois peludos, isso significa um local com poucos ruídos e apenas um cão e um gato por vez. O gato deve estar em uma caixa de transporte, previamente dessensibilizada, que o gato goste e se sinta seguro nela, e o cão com coleira e guia confortáveis.

Devemos deixar à disposição do gatinho ração úmida dentro da caixa e ela poderá nos dizer o quanto ele está confortável ou não com a aproximação do cão, já que animais com muito medo não se alimentam.

Não se deve apresentar um gato a um cão com o gatinho no colo, pois se o gato se assustar ele poderá pular do colo e se machucar ou mesmo arranhar quem o estiver segurando.

Com o gato em uma extremidade do ambiente e com alguém observando se ele está comendo, devemos entrar com o cão pelo lado oposto. Quanto mais cansado, de um passeio, e mais focado o cão estiver, mais fácil será fazer essa aproximação. Devemos deixar que o cão cheire o ambiente, sinta que o gato está por perto, mas sem se aproximar. Isso deve se repetir até que o cão comece a ignorar o gato e vice-versa.

Somente após devemos começar a fazer uma aproximação vagarosa do cão à caixa de transporte, sempre usando a alimentação do gato e a agitação do cão como termômetro.

Quando ambos estiverem se cheirando, podemos deixar o gatinho sair da caixa, voltando à estaca zero com relação à distância, e iniciamos a aproximação novamente.

Todas etapas devem ocorrer de acordo com os animais em questão. Elas podem durar dias ou meses. Caso pulemos uma etapa ou avancemos rápido demais, podemos colocar tudo a perder nessa nova amizade.

Por isso, caso o gatinho seja muito medroso ou o cãozinho muito agitado ou reativo, deve-se chamar um adestrador para que ele possa te auxiliar a construir esse novo relacionamento entre eles da melhor forma possível.

Bem-vindos ao mundo animal!

Olá! Eu sou Nathália Camillo, nova colunista do jornal OVALE. Sou médica veterinária, formada pela Universidade de Uberaba (Minas Gerais) no ano de 2010 e, desde 2015, sou franqueada e trabalho como adestradora pela Cão Cidadão. Nesta coluna, quero mostrar como podemos ter um melhor relacionamento com nossos bichos de estimação de forma simples, sejam eles velhinhos ou ainda fofos filhotinhos.

Todo relacionamento tem como base o respeito pelas necessidades de si próprio e do outro, e só podemos chegar a esse objetivo conhecendo melhor nossos companheiros de quatro patas. O cão e o gato são bem diferentes um do outro e, por isso, é preciso suprir suas necessidades básicas para que possamos ter uma convivência mais harmoniosa com eles.

Um exemplo de necessidade básica do cão é o exercício físico! É preciso gastar a sua
energia diariamente para que ele possa manter uma mente mais equilibrada. Já o gatinho, apesar de também precisar se exercitar, necessita mais de ter seu espaço respeitado. Devemos deixar para ele sempre um cantinho mais reservado, longe do alcance de cães e, de preferência, em local alto para que ele possa observar o ambiente de forma mais distante e segura.

Sugestões de temas serão muito bem-vindas! E lembrem-se: em alguns casos, a presença de um adestrador capacitado é essencial para resolver o problema do animal, principalmente daqueles que já apresentam comportamentos indesejados há um tempo.

Espero que gostem!