Benefícios da castração do ponto de vista comportamental

Castrar ou não castrar o seu pet? A maioria de nós já teve essa conversa com o médico veterinário de confiança, mas como a cirurgia pode influenciar no comportamento do seu melhor amigo, essa ainda é uma dúvida constante. Para explicar melhor, dividirei a explicação em machos e fêmeas.

Machos

Sejam gatos ou cães, de pequeno a médio porte, quando chegam à puberdade, por volta dos seis meses de vida, naturalmente começarão a se interessar pelas fêmeas no cio e a demarcar território.

Apesar de muito novos, alguns podem até conseguir cruzar e gerar filhotes, por isso, toda precaução nessa idade, principalmente com a presença de fêmeas junto, deve ser tomada. Já os cães de porte grande e gigante demoram um pouco mais para amadurecerem, entrando na puberdade somente por volta dos 12 meses de vida.

No caso dos gatos, é ainda mais necessário o cuidado com as escapadas, já que alguma fêmea no período fértil pode instigar o bichano a brincar de Houdini e fugir de casa, mesmo aquela com telas e muros altos. Por isso, vale a pena revisar as telas de proteção e se precaver quando entrar ou sair de casa para que não tenha fugas. Uma coleira com identificação também é indicada para evitar que o peludo se perca e não tenha como ser encontrado.

A castração antes desse período é indicada para evitar a demarcação de território dentro de casa, que no caso dos machos pode ser em qualquer objeto deixado no chão, isso pode ser um problema ainda maior se o animal for inseguro ou se estiver passando por mudanças na família ou na residência que possam elevar o estresse.

Em alguns casos de reatividade com outros animais ou pessoas, a castração também pode ser indicada, mesmo depois da puberdade, já que a testosterona é o hormônio responsável pela força e luta nos machos de qualquer espécie. Entretanto, a castração não é a solução para esses problemas, mas sim uma parte dela. O tratamento comportamental é sempre necessário para auxiliar e complementar o tratamento.

Fêmeas

Com as fêmeas, assim como com os machos, a entrada na puberdade pode variar entre entre os 6 e 10 meses de vida para o primeiro cio, que deve acontecer a cada 6 ou 12 meses, dependendo de cada organismo. Durante este período, cada fêmea reage de uma maneira singular. Algumas podem ficar carentes e manhosas, outras ansiosas e medrosas ou ainda terem picos de agressividade com outros animais e pessoas.

Isso se deve aos picos e mudanças hormonais, assim como nas mulheres. Porém, diferentemente de nós, as fêmeas têm o sangramento logo antes de seu período fértil. Portanto, no cio elas devem ser separadas de machos não-castrados logo após o início do sangramento, caso não esteja nos planos cuidar de filhotes.

Para o cruzamento, a fêmea aceita o macho logo após o término do sangramento. Se não estivermos de olho, podemos perder o momento e acabar tendo que lidar com o imprevisto.

Um problema muito comum em fêmeas é a pseudociese ou a gravidez psicológica, como é mais conhecida. Nestes casos, após o cio acabar, o organismo da fêmea entende que existe uma gestação e seu corpo começa a reagir de acordo. Ela começa a adotar brinquedos ou objetos como filhotes, a fazer ninho e até mesmo a produzir leite.

O animal, submetido a essa condição, pode ficar muito protetor com os seus “filhotes” e até ter problemas físicos pela produção de leite. Além disso, o comportamento pode causar estresse no convívio com outros animais ou pessoas. Por isso também, a castração é altamente recomendada, pois pode ocorrer novamente em cios subsequentes.

Avalie sempre as possibilidades com o veterinário de confiança e com um comportamentalista. Juntos, os especialistas poderão diminuir, com a castração e treinos, consideravelmente comportamentos inadequados por conta dos hormônios.

O que é e como funciona o clicker?

O clicker é um aparelho simples, onde você aperta um botão e ele faz um som de “click”. Ele é muito utilizado no adestramento, com base no reforço positivo, pois utilizamos o momento do som de para marcar, ao animal, seja ele um cão, um gato, um elefante ou um golfinho, que ele acabou de fazer algo certo e será recompensado.

Mas primeiramente precisamos fazer um exercício chamado de “carregar o clicker”. Ele consiste em apenas clicar e recompensar o animal, sem que ele tenha feito qualquer movimento. Fazendo isso, estaremos ensinando a ele que esse som significa uma recompensa, algo bom, portanto, ele tentará sempre fazer com que esse barulho aconteça para que ele tenha a recompensa.

Com o clicker devidamente “carregado”, iniciamos o treino para o comportamento que queremos. O mais comum é começarmos com o “Senta”.

Mostramos ao cão o petisco e o movemos a guloseima no sentido de sua nuca, para que ele continue olhando e acompanhando o movimento do petisco. Naturalmente o animal sentará. Assim que ele executar o movimento, nós clicamos com a outra mão e recompensamos. Ele logo vai perceber que toda vez que ele realiza o movimento que queremos escuta o “click” e ganha o petisco. Isso fará com que ele execute o movimento cada vez mais rápido e com maior eficiência.

Quando estamos treinando algum comportamento e não temos o clicker em mãos, podemos fazer um barulho de estalo com a boca, porém, ele pode não ser tão eficiente quando feito com o aparelho, justamente por não ser tão alto e constante.

O adestramento com clicker vem crescendo muito, por sem uma metodologia de reforço positivo e fazer com que o animal goste e se divirta com os treinos.

Dessa forma temos um companheiro bem mais motivado a responder prontamente aos comandos à espera de uma recompensa, que não precisa ser um petisco, como no início dos treinos, mas pode ser outra coisa que o cão goste também, como um brinquedo, carinho, atenção e passeio.

Lembre-se: a recompensa nada mais é do que aquilo que o cão mais quer naquele momento específico. Se precisar de ajuda, conte com um profissional especializado.

Enriquecimento ambiental para gatos

Não são só os cães que precisam ter seu dia a dia enriquecido ou serem estimulados mentalmente. Os gatinhos também precisam gastar sua energia física e mental para que façam menos bagunça em casa e não se tornem adultos obesos e sedentários.

Novidades são muito bem-vindas no mundo felino, mas devem ser inseridas no ambiente de forma suave e, de preferência, os peludos devem ser acostumados com mudanças desde filhotes.

Uma árvore de gato pode ser uma diversão incrível para um filhotinho, mas os adultos que nunca viram uma na vida podem ficar desconfiados e se manterem longe da novidade. Nessa hora é importante não desistirmos e estimularmos o bichano a cheirar e brincar com o novo objeto.

Vamos aproximando o amigo aos poucos do objeto em questão, sempre colocando recompensas saborosas perto do novo local, para que ele o associe a coisas boas. Cada animal tem seu tempo de adaptação e, apesar de incentivarmos, devemos respeitar esse momento.

Brinquedos com ração e petiscos dentro também podem ser utilizados, assim como com cães, mas para que os gatinhos se interessem e descubram como pegar a recompensa, eles precisam tem uma alimentação equilibrada e de acordo com suas necessidades nutricionais.

Os animais que comem além do necessário tendem a ficar mais preguiçosos e menos interessados nos brinquedos. A alimentação dos gatinhos é um pouco diferente da dos cães, enquanto os cães podem comer apenas duas vezes ao dia, devemos oferecer aos gatos alimentos quatro vezes ou mais por dia, principalmente quando estamos adaptando um novo método de alimentação.

Os bichanos também adoram viver nas alturas, e prateleiras pela casa podem ser uma ótima ideia para enriquecer o ambiente deles. Fazer percursos pela casa pode ser muito divertido e ainda dar uma rota de fuga ou rota de descanso para àqueles felinos que convivem com cães.

O importante é perceber o que o seu gato gosta. Um gatinho feliz é aquele que tem seus momentos de diversão e o opções confortáveis e seguras para longos períodos de relaxamento.

Minha cadela esta grávida, e agora?

Não há dúvidas de que todos os nossos pets merecem ser cercados de carinho e atenção! E quando descobrimos que nossas cadelinhas estão grávidas, esse carinho e atenção devem ser redobrados.

Assim como nós, humanos, os cachorros também apresentam alterações hormonais durante a gravidez que podem influenciar em seu comportamento durante o período e até mesmo depois do nascimento dos filhotes.

Cadelas que se encontram grávidas neste momento podem ficar mais calmas, mais agitadas ou até mesmo mais agressivas, por tanto, é preciso ter paciência e saber como lidar com cada situação.

Para garantirmos uma gestação tranquila e saudável, devemos nos preocupar principalmente com o bem-estar e saúde das nossas futuras mamães, deixando-as sempre confortáveis e felizes.

Os passeios e brincadeiras continuam sendo indispensáveis nesta época, para distrair um pouco e exercitar os músculos, além de ajudarem a evitar o estresse das cadelas prenhas. Porém, os passeios devem ser mais curtos e em horários em que o sol não esteja quente. As brincadeiras podem ser feitas tanto dentro quanto fora de casa.

É importante também o acompanhamento de um veterinário durante todo o período gestacional, para verificar não só a nutrição e a saúde da mamãe, mas também o desenvolvimento dos filhotes.

Quando estiver próximo ao período do parto, podemos preparar um local para que sua cadelinha possa ter seus filhotes com todo o conforto. Então, você pode escolher um lugarzinho mais escondido, onde não faça frio e não haja tanta circulação de pessoas ou animais. Ali, ela vai se sentir mais segura. Depois de escolher o local, monte uma caminha ou “ninho” para ela ali, com cobertores e almofadinhas para ela se deitar e ficar quentinha junto aos filhotes.

A gravidez, por si só, já altera o estado normal do cachorro, tendendo a deixá-los mais desconfortáveis, portanto, todos esses cuidados vão ajudar a sua cadelinha a ter uma gestação menos estressada e mais tranquila, para que a chegada dos filhotes seja algo natural e prazeroso para toda a família!